João Cabral De Melo Neto
1.1. Se diz a palo seco o cante sem guitarra; o cante sem; o cante; o cante sem mais nada; se diz a palo seco a esse cante despido: ao cante que se canta sob o silêncio a pino. 1.2. O cante a palo seco é o cante mais só: é cantar num deserto devassado [...]
O vídeo tem nítido contorno político, assim como teve a interpretação de Chico desses versos divinos de João Cabral de Melo Neto. A questão enseja essa abordagem porque a divisão das terras no Brasil ensejou e enseja muita pobreza e muita violência. A poesia cabralina não era motivada politicamente, todavia, e o poeta não se [...]
Continue lendo sobreMorte e vida severina, na visão de Chico Buarque.
Em 1950, em Barcelona, João Cabral publica O cão sem plumas. São quatro partes componentes de um grande poema, repetitivo, seco a falar de um rio, quase hermético, belíssimo. É um rio que corta o Recife. Chega à cidade sujo, porque vem sujo desde perto de sua nascente. Chega largo na planície, inundando as várzeas [...]
Continue lendo sobrePaisagem do Capibaribe, de João Cabral de Melo Neto.
O poema é muito extenso e o mais belo que há. Por isso, transcrevo apenas a primeira parte. Poesia fria e anti-condoreira. Profundamente histórica, embora não o pareça à primeira vista. Impossível para quem não tenha algum ponto de contato com ela. Tão bem conformada que somente depois de algumas leituras percebe-se de que matéria [...]
Continue lendo sobreUma faca só lâmina, ou serventia das idéias fixas, de João Cabral de Melo Neto.
Uma educação pela pedra: por lições; para aprender da pedra, freqüentá-la; captar sua voz inenfática, impessoal (pela de dicção ela começa as aulas). A lição de moral, sua resistência fria ao que flui e a fluir, a ser maleada; a de poética, sua carnadura concreta; a de economia, seu adensar-se compacta: lições da pedra (de [...]
Continue lendo sobreA educação pela pedra, de João Cabral de Melo Neto.
Dentro da perda da memória uma mulher azul estava deitada que escondia entre os braços desses pássaros friíssimos que a lua sopra alta noite nos ombros nus do retrato. E do retrato nasciam duas flores (dois olhos dois seios dois clarinetes) que em certas horas do dia cresciam prodigiosamente para que as bicicletas de meu [...]
Continue lendo sobreDentro da perda da memória, de João Cabral de Melo Neto.
Não se vê no canavial nenhuma planta com nome; nenhuma planta maria, planta com nome de homem. É anônimo o canavial, sem feições, como a campina; é como um mar sem navios, papel em branco de escrita. É como um grande lençol sem dobras e sem bainha; penugem de moça ao sol, roupa lavada estendida. [...]
Continue lendo sobreO vento no canavial, de João Cabral de Melo Neto.

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